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Blog denuncia farra dos cálculos feitos por VEJA sobre ocupação indígena, quilombola e de Unidades de Conservação no Brasil. Dos 77,6%, na realidade não passam de 25%. Mais informações temos na tese de doutorado de Eduardo Paulon Girardi, Geógrafo, 2008 em Geografia intitulada Proposição teórico-metodológica de uma Cartografia Geográfica Crítica e sua aplicação no desenvolvimento do Atlas da Questão Agrária Brasileira. Esta tese foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Geografia e no Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA) em http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm

Divulgue!

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A farra do jornalismo oportunista?

maio 4, 2010

Por Rafael Barba (obrigado Barba! Parabens!)

“A revista Veja dessa semana publicou uma matéria intitulada “A farra da antropologia oportunista”. Aparentemente os jornalistas Leonardo Coutinho, Júlia de Medeiros e Igor Paulin desejavam denunciar o que seria uma espécie de “esquema” entre ONGs internacionais, antropólogos e o Governo Federal para extinguir a propriedade privada de imóveis rurais no Brasil através da demarcação de terras indígenas e terras de quilombo, além da criação de unidades de conservação.

Comento a matéria aqui sem entrar no mérito de outras questões mais profundas, abordando dois aspectos da reportagem que são absolutamente hediondos para os padrões de qualquer tipo de jornalismo.

A falácia

Os repórteres abrem a matéria com a seguinte afirmação:

Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil.

Qualquer alma com dois dedos de bom senso questionaria essa afirmação. Uma vez que as terras indígenas correspondem a 13% da área do país, sobretudo na região amazônica. Coloco aqui dados do Instituto Socioambiental acerca dessa extensão:

O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As terras indígenas (TIs) somam 653 áreas, ocupando uma extensão total de 110.500.556 hectares ( 1.105.006  km2). Assim, 13% das terras do país são reservados aos povos indígenas.

A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 409 áreas, 108.720.018 hectares, representando 21.67% do território amazônico e 98.61% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.39%, espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estado do Mato Grosso do Sul.

Agora vejamos um mapa onde essas terras estão representadas:

Digamos então, que o restante dessa porcentagem absurda levantada pelos jornalistas, agora 64,6%, estivesse relacionado às terras de quilombo ou às unidades de conservação. Ainda assim os números parecem não bater, já que segundo o “Atlas da Questão Agrária Brasileira”, organizado pela UNESP, as áreas das unidades de conservação federais e estaduais em 2007

totalizavam 99,7 milhões de hectares, sendo 98 milhões referentes às unidades de conservação em ambientes terrestres. Dessas unidades, 310 (41,5 milhões de ha) são de proteção integral e 286 (58,2 milhões de ha) de uso sustentável. Entre 1997 e 2007 foram criadas 251 unidades de conservação e acrescidos 51,35 milhões de hectares de unidades em ambientes terrestres. A distribuição territorial das unidades de conservação é desigual e a maior parte está no bioma amazônico, que concentra 74,2 milhões de hectares – 75,7% do total.

Lembrando “o Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares”, os 98 milhões de hectares, já que estamos excluindo as unidades de conservação oceânicas, corresponderiam a aproximadamente 11,71% do território nacional. Boa parte dessas terras não é “improdutiva”, mas são as chamadas “áreas de uso sustentável” que seguem regras especiais para a exploração, como demonstra o mapa abaixo.

Então, temos 24,7 1% do Brasil dedicado a terras indígenas e unidades de conservação, correto? Não necessariamente. Se sobrepusermos os dois mapas é possível perceber que há sobreposição de áreas de unidades de conservação e terras indígenas em vários pontos do país, o que diminuiria esse percentual. Mas, vamos supor que há 24% do território nacional, sobretudo na Amazônia Legal, dedicado a unidades de conservação e terras indígenas.

Para chegar então aos 53,6% restantes (77,6% – 24%) seria necessário que as terras de quilombo abarcassem estrondosos 459 milhões de hectares… o que não é verdade. Segundo a comissão Pró-Índio de São Paulo.

Em setembro de 2008, os territórios quilombolas titulados somavam 1.171.213 hectares. Até essa data, o Pará continuava como o estado com a maior extensão titulada: 628.674,7 hectares, o que corresponde a cerca de 54% do total já regularizado.

[Para os mais interessados, aqui há uma tabela onde estão os nomes, localização, e área de todas as comunidades.]

Logo, temos 1.171.213 hectares em terras de quilombo tituladas, o que corresponde a, vejam só,  0,13% do território nacional. E as maiores terras também estão na área da Amazônia Legal – novamente desconsiderando sobreposições com unidades de conservação.

Com base nesses dados, a porcentagem de 77,6% alegada na reportagem da revista Veja não se sustenta sob qualquer argumento. Além disso, a matéria dá a entender que basta requerer a terra para se ter acesso a ela, ou mesmo que o governo em exercício estaria sendo uma espécie de facilitador do processo. Isso não se sustenta no caso das terras de quilombo e nem das terras indígenas, uma vez que o governo em exercício demarcou e homologou menos terras (em extensão e quantidade) do que o governo anterior!

A matemática esotérica dessa reportagem parece estar baseada numa alegação da Senadora Kátia Abreu, de que “90% do território brasileiro estaria congelado e inacessível ao ‘progresso’, como terras indígenas, quilombos, parques, cidades e infra-estrutura”. Ela disse ter encomendado uma pesquisa junto à Embrapa que provaria a veracidade dessa afirmação… espero que, diferente da Senadora, os pesquisadores em questão saibam soma, subtração e porcentagem.

http://faire-savoir.info/2010/05/04/a-farra-do-jornalismo-oportunista/

3 pensamentos em ““Farra da matemática oportunista”, cálculos fraudelentos na VEJA.

  1. Mas de qualquer forma estados inteiros brasileiros sao eliminado do mapa, pois ficam inacessíveis, bloqueados pelos territórios falaciosos… é só ver no mapa, como chegar em regioes cercadas por gigantescos territórios internacionalisatas? isto é Brasil ou territórios independentes com raças autonomas? Apoio a Kátia de Abreu e todos que lutares para a integraçao nacional. Repúdio total a entregaçao nacional.

    • EU queria saber com essa incrível, marca de 13% de áreas indígenas, para uma população que não chega à 1% da população, aonde os não-indígenas irão parar daqui a 50 anos, com a explosão demográfica que acontece nos territórios indígenas, as ONGs incentivam a procriação em escala geométrica, os indíos não produzem nada, não pescam, não caçam, consome tudo que vem da cidade, e na maioria das áreas demarcadas já estão pedindo revisão, pra onde os não indígenas terão que ir??

  2. Outra coisa interessante é que os territórios estao sobrepostos em regioes estratégicas que concentram a maior riqueza do mundo em minerais… coincidencia?

Obrigado!

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