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Divulgamos aqui a resposta do Secretário da SESAI.

Venho, visando restabelecer a verdade, responder às colocações constantes do “Manifesto Indígena – RS” elaborado por lideranças e comissão indígenas Kaigang, do Rio Grande do Sul.

Desde 5 de janeiro de 2009, quando recebi a honrosa missão de coordenar o GT Saúde Indígena, criado pelo então ministro José Gomes Temporão, para apresentar uma proposta para a transferência das ações de saúde indígena da Funasa para o Ministério da Saúde, venho pautando o meu trabalho no respeito aos povos indígenas, lideranças e não lideranças, no amplo debate participativo e democrático, na transparência e, sobretudo, baseado nos princípios éticos que devem nortear as relações humanas interculturais e interétnicas.

Em nenhum momento, quer seja durante todo o processo de discussão que antecedeu à criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), quer seja após o dia 20 de outubro de 2010, data da sua criação, jamais deixei de ouvir e dialogar com as lideranças dos 220 povos indígenas que habitam nosso querido Brasil e buscaram esse diálogo comigo.

Desde o dia 20 de outubro, tenho recebido, em Brasília e em outras localidades, inúmeras lideranças indígenas que tem nos procurado para relatar as condições de atendimento à sua saúde em suas regiões, bem como para ouvir da SESAI informações sobre o período de transição e também nos apresentar sugestões e propostas para melhorar o atendimento nas aldeias, nas CASAIs e no próprio SUS, incluindo as questões de saneamento.

O que se viu no seminário de Florianópolis, em que participaram várias lideranças kaigangs, foi a existência de um clima de harmonia entre os participantes, liberdade plena de manifestação do livre pensar, solidariedade, e um desejo coletivo de união para fortalecer a SESAI e os DSEI no sentido de avançarmos e vencermos, todos juntos, os obstáculos que ainda persistem na implementação da nova secretaria e dos distritos.

Esse mesmo sentimento também foi bastante explicitado e elogiado pela maioria que lá se encontrava, porque os participantes puderam perceber que a gestão da SESAI está totalmente comprometida em fazer mais, diferente e melhor, em combater toda espécie de corrupção, quer seja praticada por não indígena ou por indígena, de não aceitar as interferências políticas que não contribuam  para o fortalecimento da política nacional de saúde indígena .

Em nenhum momento houve, da minha parte, qualquer recusa em dialogar com as pessoas que me procuraram, pois participei do seminário do início ao fim, com dedicação integral e exclusiva, ouvindo atentamente as apresentações e todas as colocações dos participantes, independente de quem a tenha feito, debatendo e ouvindo as manifestações dos indígenas, dos trabalhadores e dos gestores.

Portanto, a afirmação de que o secretário especial de saúde indígena recusou a se reunir com os representantes do RS não corresponde à verdade e precisa ser esclarecida para não se transformar em verdade absoluta. O que houve foi que a assessora da SESAI para o controle social, Bianca Coelho Moura, foi procurada pelo Senhor Pedro Sales, no dia 21/07, logo após a abertura do seminário, solicitando uma reunião do secretário com as lideranças do RS. A mesma me procurou, apresentou a solicitação e teve de imediato o meu consentimento. Ela transmitiu ao Pedro Sales esta minha resposta mas, em nenhum momento, fomos procurados novamente pelo Senhor Pedro Sales ou por qualquer outra liderança indígena para definir o horário e o local da referida reunião.

Quanto à afirmação da não aceitação do documento de reivindicações dos caciques por parte do secretário, isto também não corresponde à verdade. Eu recebi o documento das mãos do Senhor Jair Martins, que é um servidor público do DSEI Interior Sul e chefe do Escritório Local do RS, o qual não é liderança indígena, e o passei à Chefe do Distrito, Senhora Janete Ambrósio, que foi o procedimento que adotei em todo o seminário com os vários documentos que me foram entregues e os repassava ao Altino (DSEI/MG e ES), ao Paulo Camargo (DSEI Litoral Sul) ou à Janete (DSEI Interior Sul). O que me surpreendeu foi aquele documento ter sido entregue diretamente ao secretário, não por uma liderança indígena já que era um documento das lideranças, mas por um servidor público subordinado à Chefe Janete, quando o mesmo deveria ou ter sido entregue pelas lideranças indígenas ao secretário, ou pelo chefe do escritório local RS à chefe do DSEI e não como ocorreu, com o Senhor Jair desrespeitando a hierarquia no serviço público federal que ele como servidor público não pode desconhecer e desobedecer e passando por cima da autoridade sanitária responsável pela gestão do DSEI Interior Sul.

O mais curioso nesse episódio foi que ele se deu justamente logo após a Plenária ter aprovado e pactuado a criação de um Grupo de Trabalho para estudar a distribuição da população indígena, a abrangência dos DSEI Litoral Sul e Interior Sul, as questões referentes a necessidade de casais, ao saneamento ambiental em terras indígenas, cujo documento apresentado pelo João Roque recebeu a assinatura de várias lideranças indígenas, inclusive dos kaigang.

Assim, restabelecida a verdade, quero aqui reafirmar, como fiz em todo esse período em que estou à frente da SESAI, o meu compromisso com a defesa intransigente da democracia, da gestão participativa com respeito às competências e autonomia de cada segmento (usuário, trabalhador e gestor), do direito do Estado de fazer a gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, do fortalecimento do controle e da participação popular, da oferta de serviços e ações de qualidade para os povos indígenas, bem como com a prática cotidiana da manifestação da verdade e da busca permanente pela harmonia, solidariedade e paz entre os indígenas e os não indígenas. Enfim, quero aqui reafirmar o meu compromisso em defesa da saúde, da felicidade e da vida.

Brasília, 12 de agosto de 2011.

                    Antônio Alves de Souza

        Secretário Especial de Saúde Indígena

9 pensamentos em “Antônio Alves de Souza, Secretário Especial de Saúde Indígena (SESAI) responde ao Manifesto Kaingang do RS

  1. SR. SECRETARIO , nao esta em discusão se o documento foi entregue ou nao por um subordinado como diz o sr. O MAIS importante é que o senhor tenha recebido este documento com as reivindicaçao dos indigenas com as necessidades da saude indigenas. Para o SR. vêr né SR. SECRETARIO, enquanto se discute com quem ou por quem foi entergue o documento, nós indigenas padecemos com a péssima qualidade de saude que é nos oferecido e ainda ter que se submeter a fazer protestos em rodovias pondo a vida dos nossos indios em risco para receber uma coisa que é nossa por direito. E QUE FIQUE CLARO A QUEM QUER QUE INTERESSA QUE AS NOSSAS DECISOES NAO SAO INFLUENCIADO POR QUEM QUER QUE SEJA AS DECECISOES SAO TOMADAS PELAS LIDERANÇAS INDIGENAS COMFORME AS NECESSIDADES DAS COMUNIDADES.
    OBRIGADO!!!

  2. Acredito que a entrega do documento desrespeitando a hierarquia é algo a ser considerado sim. Pois um funcionário público não pode passar por cima da autoridade de seu superior. Isso deixa clara a falta de respeito e de organização atualmente vigente na saúde indígena. O secretário tem responsabilidade direta pela conduta de seus subordinados.

  3. No RS a saude indigena é piada, falta organização e por isso tantos protestos. TOMEM UMA ATITUDE, COMO ESTA NAO PODE CONITNUAR.

  4. talves que só assim este documento tenha chegado mais rapido nas maos do secretario ANTONIO ALVES ja que lideres indigenas tem que ajendar com meses de antecedencia para a entrega de documentos pedindo a melhoria da saude em suas comunidade, como se as pessoas que dependem dessa melhoria tivessem seculos de tempo para esperar . A melhoria de saude nas reservas indigenas é urgente . com respeito ou nao a hierarquia.. E o desrespeito a saude indigena ja nao é mais novidade mais vamos la com muitos protestos quem sabe chegaremos la ……

  5. Sem hierarquia fica essa bagunça que esta cada um faz o que quer. No estado temos pior atendimento do pais pois a cordenaçao e´ pessima.

  6. brincadeira esse antonio alves, ele ja deixou a saude indígena em pessimas condições quando ainda era na funasa, agora só transferiu de nome sesai, mas ele é o mesmo que conduzia lá veio para cá, la ele era subordinado aqui ele é o chefe.
    só conhece indios pela televisão, arrogante, que para falar e atender indígena tem que ter agenda e quando ele quer.
    vamos dilma, tire mais um verme do governo.
    esse faz mal a saude.
    VEJAM O QUE ELE FEZ NO CHAMAMENTO, PRIMEIRO LEVOU3 MESES, PARA ACHAR UMA INSTITUIÇÃO DELE, DEPOIS LARGOU O CHAMAMENTO EM 15 DIAS .

    • resposta a oscip.vidanova@
      como levar a sério o comentário de um indivíduo que manifesta sua opinião de forma tão precária, medíocre e valendo-se de palavras de tão baixo calão?! Ora, o sr.(Sra.) deve bem conhecer a espécie animal a que se refere (verme). Seja por afinidade moral, ou acadêmica. Pelas suas linhas, nota-se que seu conhecimento sobre o assunto deve-se por similariedade moral e comportamental. Da próxima vez, use ao menos UM argumento plausível para discutir assunto tão importante. pelo seu nível de conhecimento, indicaria a plataforma “Google” para pesquisa. Essa seria compatível com seu “enorme” nível intelectual.

    • “mandou bem”?!?! Meu Deus, olha o nível desses cidadãos que aqui se manifestaram!!! Conheço excelentes cursos de etiqueta social e lingüística, caso a sra. deseje aperfeiçoar seus comentários.

Obrigado!

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