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“Brasileiro não tem memória curta, tem é excesso de mídia interesseira.

Em 2013 a mídia foi invadida por escândalos envolvendo José Serra (PSDB-SP) e o vazamentos no site Wikileaks. Serra em 2009, então presidenciável, tinha afinado seus laços com os interesses das empresas petrolíferas estadunidenses que não desejavam a Petrobras comandando o pré-sal. As conversas caíram nas mãos de Julian Assenge que lançou na internet.

“Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse o candidato tucano a presidente à executiva da Chevron.

A Chevron é uma das maiores empresas de energia do mundo. Com subsidiárias em diversos países. Suas afiliadas estão presentes no Brasil desde 1915 e acabam de completar 100 de presença. Atuam na comercialização de produtos derivados de petróleo com a marca Texaco, que firmou-se no país como uma das maiores distribuidoras de combustíveis.

A partir de 2008, a empresa concentrou sua fabricação e comercialização de produtos em óleos lubrificantes e graxas industriais, com destaque para as renomadas marcas Havoline e Ursa, e em aditivos da marca Oronite.

A ExxonMobil também participou das discussões com Serra, segundo o vazamento de 2013. Esta corporação também é estadunidense. “Presente desde 1912 no Brasil, a ExxonMobil teve participação em muitas etapas do desenvolvimento de nosso país” diz a corporação em seu próprio site.

Como assim, participação no desenvolvimento do Brasil? Vamos voltar na história para descobrir o que eles querem dizer.

Quem são

A Chevron e a ExxonMobil são petrolíferas filhas da Standard Oil Company of Brazil, conhecida como Esso do Brasil. Por sua vez, a Standard Oil, que começou em Ohio, EUA, numa sociedade formada por John Davison Rockefeller, seu irmão, William Rockefeller, Henry Flagler, o químico Samuel Andrews e Stephen V. Harkness, se transformou na maior empresa de petróleo do mundo. Ela simplesmente absorvia seus concorrentes, e passava a mandar na produção e nos preços para se tornarem competitivos, até que acabou tornando-se um monopólio do petróleo.

No início da década de 1880, a Standard Oil e suas dependentes controlavam cerca de 90% das refinarias americanas, hoje as suas sucessoras detêm cerca de 86,9% dos poços de petróleo. Este monopólio durou algumas décadas, até que em 1911 o tribunal supremo dos Estados Unidos decidiu pelo desmantelamento do monopólio e ordenar a criação de 34 novas empresas menores, das quais emergiram a Exxon, Chevron, Atlantic, Mobil e a Amoco mas continuando no controle das Empresas Rockefeller.

O Sociólogo chileno Patricio Altamirano cunhou o conceito “Rockefellerismo” para descrever como funciona o capitalismo americano hoje, em sua natureza monopolista, e como esta família tem influência sobre o “Conselho de Relações Exteriores”, no Grupo Bilderberg, o Plano Marshall, e o atual “Comissão Trilateral” liderar o processo da globalização. Tudo isso é feito a partir das empresas que possuem.

Entendi! Mas como eles têm, enfim, “participado do desenvolvimento do Brasil”?

A história da mídia interesseira

Se você buscar um pouco na memória, ou perguntar aos seus pais ou pessoas mais velhas, todos vão lembrar do famoso Repórter Esso, financiada pelos Rockefeller.

Foi um noticiário histórico do rádio e da televisão brasileira e seguia a versão americana do programa chamada de “Your Esso Reporter”. Foi o primeiro noticiário de radiojornalismo do Brasil. A primeira transmissão do programa se deu no dia 28 de agosto de 1941. O Repórter Esso se especializou em divulgar principalmente notícias ligadas ao modo de vida americana da época, conhecida como American way of life, além de cobertura de guerras, dando também bastante ênfase às notícias de autoridades, seus notáveis, estrelas e astros de cinema e feitos científicos norte-americanos. O Repórter Esso não informava notícias da Europa, da Ásia e da África se não houvesse interesses norte-americanos envolvidos.

O programa durou até 1968 nas rádios e 1970 na TV. O sistema de comunicação financiado pelos Rockefeller deixou seu legado. A Tupi, que pertencia ao paraibano Assis Chateaubriand, do Grupo Diários Associados e a Record, pertencente ao paulistano Paulo Machado de Carvalho do Grupo Jovem Pan, replicavam o programa na época.

Atualmente a corporação Rockefellerista comanda o jornalismo no Brasil com o Prêmio Esso, o mais tradicional e disputado programa de reconhecimento de mérito dos profissionais de imprensa do país.

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O que aconteceu no Brasil

Tudo ia bem até que os interesses dos Rockefeller, pela primeira vez, foram deixados de lado para atender aos brasileiros. A guerra que vemos hoje no Jornal Nacional, bancada pelo Grupo Globo, e que é replicada em capas de jornais por todo o país, segue o legado do Repórter Esso dos Rockefeller.

O motivo de toda a disputa para colocar os povo nas ruas foi a Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010. Naquele dia, Lula, então presidente, assinava o Marco Regulatório que decretou a adoção do regime de partilha para produção no pré-sal e criou o Fundo Social – FS, que é vinculado à Presidência da República, com a finalidade de constituir fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de programas e projetos nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento.

Em outubro de 2013 foi realizado o leilão do campo de Libra, no pré-sal, o maior campo de petróleo já descoberto no Brasil, o consórcio formado pela Petrobras, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, e as estatais chinesas CNPC e CNOOC, foi o único a fazer uma oferta e venceu. 

O grupo se dispôs a ofertar para a União 41,65% do óleo a ser produzido no local. A Petrobras ficou com 40% de participação, incluindo o percentual de 30% obrigatório por lei. Shell e Total ficaram com 20% cada uma. As chinesas ficaram com 10% de participação cada uma.

Ah! Entendi. Nenhuma empresa estadunidense participou. Por que mesmo?

Na época, e agora voltamos ao início do artigo, mais exatamente em 2009, o candidato à presidência tinha se dito às petroleiras estadunidenses exatamente que “as rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”. Seu nome? José Serra, hoje senador por São Paulo pelo PSDB.

No dia 27 de março de 2015, Serra protocolou no Congresso o PLS – Projeto de Lei do Senado nº 131. (Vamos ouvir muito falar sobre ele, guarde o número). Serra tenta manter-se como candidato à presidência e salvar o PSDB da mira dos petroleiros que estavam/estão indignados com a “falta de ética na política brasileira”, e com a “corrupção na Petrobras”, e principalmente como o dinheiro não compra mais votos no Brasil. E como não possuem mais o Repórter Esso, os Roquefelleristas pagam para a Globo e suas afiliadas para replicarem o American way of life e seus interesses, nem que para isso tenham que derrubar o governo.

Serra, fantoche dos yankees, quer alterar a Lei nº 12.351 retirando a Petrobras como Operadora (sim, Operadora!) do pré-sal.

Uhmm… Entendi! Será por isso que o Jornal Nacional repete várias vezes que o “Operador do Lava-Jato” disse isso ou aquilo?

Pode ser.. ou melhor. Sim! É por isso. Um plano claro de que em alguns meses vão começar a dizer que toda a Petrobras é Operadora do “Esquema x ou y” e vão fazer a população sair para as ruas gritando “privatiza”. Ainda, vão qualificar o achacamento do executivo, via o Congresso de Cunha e Calheiros, para aceitar a retirada da Petrobras como Operadora do pré-sal para “manter a ética e afastar a instituição da corrupção”.

Para salvar a Petrobras dos achacadores Dilma Rousseff, a presidenta do Brasil vai ter que reunir seu ministério e… e NADA!

Dilma já fez o que pode. Mandou investigar os corruptos e corruptores que já foram presos e respondem pelo que fizeram. Já segurou o país em plena crise desde 2008. E, principalmente, já garantiu mais quatro anos de defesa da Petrobras para os brasileiros.

Com a Lei nº 12.351/10, esta que Serra quer destruir, parte dos recursos que a Petrobras lucra irá para a Educação dos brasileiros.

Ah! Então por isso que achacaram o Cid Gomes (PROS-CE)? Ele não era o Ministro da Educação?

Exato! Bingo! Fogos!! Começamos a desvendar o que acontece no Brasil hoje.

Manifestações ou Primavera brasileira

Você já percebeu que quem puxa as manifestações anti-Dilma e anti-PT são jovens empreendedores que querem ter suas vidas boas, como todo mundo, e que têm seguido o modelo neo-liberal (conhecido como American way of life!) e organizam-se ao redor das ideias de um senhor assumidamente direitista, o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho que… (não! não… sim?!) sim: mora nos EUA.

Um dos líderes do “Vem Pra Rua” (movimento, empresa, partido?) se chama Rogério Chequer. Mas quem é esse jovem empreendedor que, com alguns amigos, usando aplicativos de smatphone e memes levou milhares às ruas em 15 de março e quer levar mais em 12 de abril?

Chequer vivia, até poucos anos atrás, nos Estados Unidos, mais precisamente em Connecticut. Lá era sócio de uma empresa chamada “Atlas Capital Manegement“, até 2011, junto com David Chon e Harry Kretsky, que geria fundos de investimento. Um deles, o Discover Atlas Fund com US$ 115 milhões em ativos. Atualmente ele é sócio na empresa Soap Comunicações, que tem como clientes VW, BASF, BAYER, Avon, Monsanto, Abril, Globo, Coca-Cola, e várias outras multinacionais. 

Chequer agora quer o Impeachment da Presidenta Dilma Rousseff e crê que vai conseguir. Agora ele lidera as manifestações por ter sido a organização mais conhecido em 15 de março.

Mas o que diabos ele quer? Poder? Justiça?

Não. Chequer só quer dinheiro. Mas para isso ele, como todo capitalista, vende suas ideias para quem paga mais. Chequer e sua trupe estão implementando no Brasil a estratégia usada na campanha eleitoral de Obama, nos EUA: usar e abusar das redes sociais. As campanhas de 2008 e 2012 tiveram participação decisiva de Ricardo Cappra, Especialista em Digital Branding. (Sim! Ele é brasileiro. Gaúcho!). Cappra sabe tudo de estratégia digital para atingir diferentes públicos com baixa margem de erro. Um atirador de memes de elite que ganha seu dinheiro limpo e não tem nada a ver com o “Vem Pra Rua” nem com grupelho algum. (O cara é bom!).

Neste contexto, Chequer e seu grupo estão mostrando o que está sendo remontado no Brasil, e que já estava até então esquecido: um pára-estado que em breve concorrerá em eleições para tomar o Estado. Foi assim que o MDB das diretas se tornou o PMDB. Assim que os trabalhadores se organizaram e fundaram o PT. Assim que a Confederação Nacional da Agropecuária – CNA, os Ruralistas, se organizam. Todos seguem estruturas piramidais por que o estado funciona assim, com bases locais espalhadas pelo país, organizadas em federações ou grupos regionais, e acima de tudo uma forte confederação, ou partido, ou representação, ou sindicato, que tenha âmbito nacional e representantes em Brasília.

Com uma estrutura assim, qualquer setor da sociedade consegue fazer lobby no congresso e, literalmente, pagar campanhas eleitorais de candidatos vazios especialistas em achacamento.

Contudo, os partidos existentes no Brasil já estão desgastados, pois ora conseguem honrar os compromissos com seus financiadores de campanhas, ora não. Assim, o rastro das informações colocadas acima, que confunde-se com a história do Brasil e de muitos países em que pisaram as petroleiras estadunidenses, leia-se, a implantação do Rockefellerismo.

Marina Silva quis sair do PT e montar um partido, mas deu com os burros n’água quando o povo descobriu que ela andava com George Soros, investidor gigante, que estava comprando ações da Petrobras. Marina perdeu feio por que as redes sociais informaram o povo, que não é bobo, do interesse entreguista dela.

Um outro sujeito está tentando chamar a atenção das petroleiras estadunidenses e criou o Partido Novo, que tem como presidente o empresário João Amoêdo que acredita conseguirem eleger um presidente em 2030.

Por fim, nem Lula nem Dilma deixaram que a Petrobras fosse incorporada pelos Rockefeller e seu grupo, como fez Getúlio Vargas, Jânio, Jango, e muitos outros. Já Serra, em busca de poder e de salvar o PSDB, entregaria até a própria mãe, imagina a Petrobras. E é isso que ele está tentando fazer e não vai ser Dilma, Lula ou PT, MPF, STF, quem vai conseguir impedir.

Primavera com cara de outono

Somente o povo nas ruas poderá barrar a sanha pelo controle do Petróleo Rockefellerista que também assola a Venezuela, Argentina, Equador, aqui na América do Sul; assola o Oriente Médio, Ucrânia, norte da África, e vem mudando regimes pela democracia ou pela força.

Sim. Estamos vivendo a Primavera Brasileira que pode ocorrer no outono, engrossar no inverno e enfim pôr as caras nas ruas no final de 2015. Isso pode acontece se não compreendermos o que está em movimento nas ruas e redes sociais. Se não agirmos como patriotas, entregaremos nosso petróleo e o futuro do Brasil, como Serra está fazendo com a Petrobras e já fez com a Vale (lembra do FHC dizendo que vender a Vale foi ideia do Serra? Busque no youtube).

Esta estrutura que assusta o Brasil, de chamar o povo para as ruas via redes sociais, foi testada em 2013 nas jornadas de junho. Funcionou para aquele momento pois formou as redes que agora estão sendo reutilizadas. Rogério Chequer e seu grupo são apenas pobres brasileiros manipulados e nem sabem pelo que ou por quem. Esta estratégia de nunca saber que são os chefes, os verdadeiros comandantes, é antiga. Os Rockefeller quem inventaram para poder fingir que “não mantém o monopólio” do petróleo mundial e da comunicação no Brasil.

Nuno Nunes é filósofo e escritor.

Um pensamento em “Serra quer tirar a Petrobras e o futuro dos brasileiros e tem apoio das ruas

  1. Parabéns pela avaliação! A mais completa e inteligente que encontrei até agora e a única sensata nos momentos de turbulência atual. Qualquer um que vai para a rua hoje deveria ler este artigo.

Obrigado!

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