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Após o ataque ao povo Gamela no Maranhão, incentivado por um deputado federal do PTN (Partido Trabalhista Nacional), identificamos que foi dada a largada para as eleições de 2018.

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O deputado Aluísio Mendes foi até a cidade de Viana e deu entrevista numa rádio local compelindo o povo a atacar os Gamela. A população agiu sob o comando e aval do deputado e atacou com brutalidade aquele povo indígena que reivindica suas terras tradicionais. Este é um exemplo do que ocorre em vários cantos do Brasil.

Em Santa Catarina, o deputado Ronaldo Benedet (PMDB), que possui seu curral eleitoral na região sul do estado, iniciou também sua campanha a reeleição. Neste caso, ele utilizou-se do Tribunal de Contas da União, órgão ligado ao Congresso Nacional, para apontar sua estratégia de campanha. O TCU anunciou que as obras da duplicação da BR-101 na região de Palhoça, SC, que pende de construção de dois túneis sob a Terra Indígena Morro dos Cavalos, não será prioridade. Para o TCU, as principais obras serão a BR-280 e BR-470, todas em SC.

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Benedet imediatamente foi à imprensa e divulgou seu posicionamento, informando que não terá mais túneis no Morro dos Cavalos, mas que irá lutar para que a duplicação seja realizada de qualquer modo, com instalação de mais pistas sobre o leito atualmente existente que impacta diretamente os Guarani que vivem na beira da rodovia. Porém, há já ações judiciais que exigem que o DNIT construa os túneis, e o processo do licenciamento destas obras já possui licença prévia e pedido de licença de instalação ao Ibama.

A Funai, por sua parte, já consultou os indígenas Guarani da Terra Indígena Morro dos Cavalos, que deram seu aval aos Programas de mitigação e compensação apresentados pelo DNIT, e aguardam o início das obras. Benedet, porém, não avalia que isto seja uma boa resolução.

O que há de errado neste processo? Por quê políticos desejam atacar indígenas?

Os candidatos que se localizam mais à direita no cenário brasileiro naturalmente seguem as propostas ligadas ao capital financeiro, industrial e de logística. Resumidamente, estes candidatos não se conectam com a população e seu bem estar, mas com empresários e seus lucros.

A estratégia que eles têm usado para suas campanhas é simples de compreender. Eles elegem um inimigo e passam a combatê-lo. Na década de 90 o inimigo escolhido era o MST e Sindicatos. No caso de muitos candidatos, atualmente, apontar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Sindicatos organizados será um tiro no pé, tendo em vista que tais representações populares estão organizadas e estruturaram seus sistemas de defesa midiática, por meio de sites e redes sociais.

No caso dos povos indígenas, os candidatos calculam friamente a possibilidade de respostas aos seus ataques. Observam se estes povos tradicionais possuem mídias e o alcance das mesmas. E por fim, eles calculam quantos votos perderão dos indígenas e quantos ganharão dos não-indígenas.

É sabido que populações indígenas são em menor número no país e muitos não acompanham os processos eleitorais, como também não participam efetivamente com candidatos próprios. Ou quando buscam esta via política, são obrigados a afiliarem-se a partidos que muitas vezes não os colocam como prioridades. Esta situação têm deixado o terreno livre para candidatos atacarem povos indígenas e populações tradicionais.

Soma-se a insto o fato de as mídias locais e regionais (rádios, jornais, TVs), serem financiadas por empresas que também pagam as campanhas eleitorais. Assim, os candidatos conseguem atingir um amplo número de eleitores não-indígenas em suas campanhas, e apontam que o “inimigo da população”, aquele que “geram o atraso e o desemprego”, são os povos indígenas e tradicionais.

Este é o caso do Maranhão e de Santa Catarina, por exemplo. Os deputados anunciam que irão lutar para alcançar o progresso apesar de indígenas quererem “atrapalhar” as obras. Este absurdo replicado nos canais de mídia corporativa ressoa e forma opiniões rapidamente, pois o foco do trabalhador é sempre o salário no final do mês, e tudo que ameace este ciclo o afetará.

O trabalhador comum não é visto pelos candidatos que usam este tipo de estratégia como pessoas detentoras de direitos, mas simples números numa eleição. Eles desumanizam a população e valorizam o lucro dos patrões. O foco deles é, e sempre será, o patrão, não o trabalhador, mas ele precisa dos votos dos trabalhadores.

No Maranhão o deputado que incentivou o ataque aos Gamela é do Partido Trabalhista. Ou seja, ele não é ligado à causa operária do trabalhador, nem à causa do indígena. Muitos partidos no Brasil são ligados ao trabalhismo. Para você entender, basta comparar a diferença entre indígena e indigenista. Indígena é a pessoa natural de um local que possui suas bases ancestrais correlatas a tempos anteriores a 1500. Indigenista é a pessoa que trabalha com o indígena. Assim, o trabalhista não é trabalhador, mas patrão. Cuidado!

A CPI da Funai que criminalizou várias lideranças indígenas, indigenistas, antropólogos, entre outros, se enquadra nesta estratégia de gerar o “inimigo” para usá-lo em campanhas eleitorais. Sabemos que os indiciamentos nada encontrarão de errado nas vidas dos acusados, mas os deputados que fazem parte da CPI utilizarão o relatório em campanhas, como se fossem provas cabais de que são “inimigos do povo” os que defendem direitos indígenas.

Como combater este tipo de políticos oportunistas?

A forma mais efetiva de se proteger de candidatos trabalhistas, ligados ao capital e não à população, é identificar quem ele é, quem financia suas campanhas, e quem são seus eleitores. Geralmente os candidatos a deputados estaduais ou federais possuem territórios eleitorais compostos pela soma de rotas rodoviárias e suas cidades ao longo do trajeto. Ali eles estão ligados aos jornais e rádios locais, onde dão suas entrevistas e assumem compromissos de “luta” em “prol da população”. Mentira! Eles estão de olho nos votos e querem manter seu território e evitar que outro candidato tome seu posto.

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Ainda, a criação e gestão de boas atividades de mídia, por parte de indígenas e povos tradicionais é essencial para reverter ataques de oportunistas.

Criar um blog, uma página nas redes sociais, e postar frequentemente as atividades cotidianas das comunidades faz com que a população ao redor observe que há sim vida humana ali, produção de alimentos, artesanatos, conhecimento, entre outros. Aproximar a comunidade indígena ou tradicional da população regional evita que usurpadores criem conflitos que, na verdade, não existem.

Há também o formato de esclarecimentos e respostas aos ataques, por meio de notas oficiais das lideranças da comunidade, que podem ser divulgadas nas redes sociais. Esta é uma ferramenta importante, pois os jornalistas das rádios ou jornais locais e regionais terão que dar voz à população atacada, se não cairão em descrédito com os ouvintes. Afinal, mentira tem perna curta!

Organize-se! Comunique-se! Não deixe que oportunistas eleitoreiros coloquem sua comunidade indígena ou tradicional como “inimiga da nação”.

Nuno Nunes

Filósofo e Indigenista,

Escreve para A Cor da Terra!

Um pensamento em “Povos Indígenas e eleições 2018, por Nuno Nunes

  1. Quanta mentira num só artigo! Pelo menos com realacao ao Maranhão! A QI precisa de solução para dar segurança jurídica aos que produzem, garantindo o direito de propriedade e dar dignidade aos índios que vivem sendo manipulados por ONG aproveitadores!

Obrigado!

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