Brasil distancia-se dos EUA

As edições eletrônicas do Wall Street Journal e do Financial Times dedicarão amanhã uma cobertura agitada, recolhendo repercussões minuto a minuto do leilão a realizar-se no Brasil, do campo de petróleo Libra, de 1.500 km2, com cerca de 12 milhões de barris em águas profundas a 183 km da costa do Rio de Janeiro, e que, em alguns anos, pode estar produzindo 1,4 milhões de barris/dia, volume equivalente a 70% do que o país produz hoje.

Petrobrás e três petroleiras chinesas (não se descarta a formação de um consórcio sino-brasileiro, à última hora) aparecem entre as onze empresas que participarão da disputa pelo campo de Libra, da qual não participarão as “grandes irmãs” norte-americanas, por causa do estresse diplomático surgido entre Brasília e Washington, depois que se revelaram os atos de espionagem perpetrados pela Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a Petrobrás e a presidenta Dilma Rousseff, dentre outros alvos sensíveis.

Por baixo e por trás das notícias em tempo real que já sufocam e mais ainda sufocarão amanhã, de índices da Bolsa e corretores e ‘especialistas’ com opiniões de curtíssimo prazo, há uma história de que pouco se falará, transcorrida nos últimos anos, e que permite compreender realmente o que está em jogo: uma reacomodação de forças na geopolítica do petróleo.

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DENÚNCIA: Bancada Ruralista defende interesse internacional em biocombustíveis e não proprietários rurais

Os ataques que os povos indígenas e quilombolas do Brasil têm sofrido, com ameaças a mudanças da Constituição Federal quanto aos critérios para demarcação das terras, judicialização de processos para emperrar trabalho da FUNAI e INCRA, é remetido sempre à Bancada Ruralista do Congresso Nacional, que atua em defesa dos interesses dos proprietários rurais. A Bancada é composta por partidos como DEM, PSD, PR, PP, PTB, PSDB, PPS, PMDB, PSB, PSC, PDT, PMN, e outros menores.

Porém, estes deputados e senadores, que ficaram assustados em abril de 2013, quando indígenas ocuparam o plenário da Câmara para impedir mais um ataque: a transferência da prerrogativa de demarcações de terras da FUNAI/MJ para o Legislativo. Mas no segundo semestre, os ataques se qualificaram, com a proposta acordada com o governo, que consiste na regulamentação do§ 6º do artigo 231 da Constituição Federal, que cria regras claras ao definir os bens de “relevante interesse público” da União para fins de demarcação de TIs.

Perguntemo-nos: o que interessa aos proprietários rurais dizer o que serão áreas de relevante interesse público? À primeira vista funcionaria assim, quando a FUNAI delimitar uma certa área como indígena, o possível produtor rural que vive dentro dela e porventura comprou do governo estadual o título da área há décadas, não precisará mais dizer que ali nunca existiram indígenas, mas agora dirá: mas eu planto o alimento que a nação consome, se me tirarem daqui, o Brasil passará fome. Em nome disto, os deputados e senadores defendem os heróis da nação que alimentam a todos, e inclusive, têm suas campanhas eleitorais financiadas por estes proprietários rurais, correto? Errado, completamente errado!

Acorda Brasil, manifestações descontroladas cheiram a golpes na América Latina

“O Brasil acordou!”, é o que trazem as capas de jornais e é reproduzido pelas Tvs. Importa saber se o “acordar” quer dizer “levantou” ou “entrou em acordo”.

Não é segredo que o Departamento de Estado Norte Americano apoiou o que chamamos de Primavera Árabe. O Yanques (poderia chamar americanos, mas o povo estadunidense não merece as críticas aqui expostas, e sim seus governantes) financiaram a formação de grupos e líderes nos países do oriente médio para iniciarem o caos que culminou com a queda dos governos (mesmos governos implantados pela liga pós II Guerra Mundial com a queda do Império Otomano), por meio do MEPI – Iniciativa de Parceria do Oriente Médio ( http://mepi.state.gov/).

Em abril de 2013, o atual Secretário de Estado Yanque, John Kerry, durante um discurso ante o Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes, e seguindo a velha Doutrina Monroe, sem se importar com a soberania dos países latino-americanos, considerou os países da América Latina como seu “quintal” e acrescentou que planeja mudar a atitude de algumas dessas nações. Agora, junho de 2013, temos as manifestações nas ruas seguindo os mesmos padrões da Primavera Árabe: o lema “saímos do Facebook!”.